quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Terno bem abotoado

Terno bem abotoado

Agora a qualquer escravo mais bem vestido,
não negro nem fugido 
sem dono nem cana de açúcar
da senhora maquiada e absoluta 

Agora qualquer um que use um terno em qualquer momento,
agora qualquer clichê que eu pensei 
qualquer coisa que seja de fato consistente
da fadiga do trabalho veemente 

Agora qualquer meio careca de olhos meio fechados
que traga em uma bandeja qualquer bandeja que peça
o mordomo não despeça 

Agora em qualquer momento 
na periferia , 
em qualquer lugar com apenas um pai de família
que nem bandejas tem pra comprar, mordomo queira esse usar

De agora qualquer sonho americano, 
de igualdade social
o pobre mordomo deixa de lado
com seu vinho tinto em uma taça, equilibro sagaz
de carga animal, apenas carnal

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