sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sem leitores

Sem leitores

Ele está aqui
sem mais nem menos vem
e desola todo bem

E a felicidade grotesca
se transforma em tristeza animalesca
como um gato sem novelo,
a tristeza me ataca por inteiro

E o poema tão óbvio
vai se ramificando
ramos complexos
para qualquer um

E deixa tantos temas em aberto
que não sabe qual fim
o poema deve tomar,
deixe-o assim, criar um fim próprio, transformar

E a beleza do poema
surge quase imperceptível,
a medida que as palavras são jogadas
e todas as vozes agora caladas

Criticam incessante ao poema,
deixe-o como dilema ( moral )
qualquer tema banal
que venha com o leitor satisfazer

E mata o leitor de prazer,
saber,
que talvez por um segundo,
o autor criou consciência
e lembrou de sua existência