sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tristeza boa

Tristeza boa

Das tristezas que abalam qualquer um
esse poema não é meu
esse poema é um poema comum

De qualquer pessoa que leia e interprete ao seu ver
que as dores sintas ao ler,
que veja toda sua lagrima pelo rosto correr

De um pensamento triste qualquer que tenhas
não se acabe numa onomatopeia de dor
que tenha qualquer coisa a ver com amor,
ou ideias de pudor

Agora o sujeito escreve
qualquer coisa que o faça sentir bem
o sujeito não é ele, nem vós
apenas o eu, talvez nós, com um gosto amargo, atroz

Agora da tristeza que se passou escrevendo essas coisas qualqueres
que do texto agora fazem parte, as dores cravadas
qualquer coisa que foi amaldiçoada e retirada
e está aqui, não mais amada

Do masoquismo qualquer de não amar a tristeza
nem a dor, nem nada de qualquer coisa assim
que o autor enfim
escrevendo rimas sem fim, perdeu a tristeza

E agora da pureza
o autor tem a clareza
a legitimidade
que a tristeza com ele fez caridade

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