CIROLA
O silêncio desnorteador ,
Era noite,
Não possuía pudor
Estava frio,
Não era tarde, mas por enquanto era frio,
O frio era amigo do branco, do cinza, de cor impensável
Era o vento frio , gélido e amável , de tão denso até apalpável
Pois bem, nesta tarde sem fim,
O vento castigava,
E ventava, cansava, esfriava.
Por luxúria minha, queria eu um cobertor,
Talvez até um agasalho,
Qualquer coisa que do frio ,
Afastasse meu cabelo grisalho
E era pois bem grisalho,
Assim como o frio meu cabelo tinha tomado,
Aqueles fios não seriam como antes,
Aquele frio,sobre meus cabelos, teve ação desvirginante
Não encontrava qualquer objeto que do frio me afastasse,
E me sentia frio, sim, não tinha roupas, e era um completo nu,
Com apenas uma cirola vermelha de bolinhas brancas,
Era uma fruta, do pomar humano, quase estranha como o caju
Aquela cirola esteve ali , por tanto tempo,
Nem percebi-a, agora, ela não me deixa perceber ,
Se não fosse ela , logo seria mais um nu sobre um monte de agasalhos
Tentando esconder-se dos humanos falsários.
Pois esta cirola esteve comigo, verões e invernos,
Não tinha nenhum compromisso com nada ,
Era o meu boi na boiada,
Me protegia de tudo quanto era arma ou granada.
A cirola agora vermelha de bolinhas brancas,
Ou até branca de bolinhas com cor vermelha,
Não se assemelha,
A qualquer objeto que a ela se espelha.
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