segunda-feira, 14 de maio de 2012

CIROLA

CIROLA

Vestido, ainda nu,
O silêncio desnorteador ,
Era noite,
Não possuía pudor

Estava frio,
Não era tarde, mas por enquanto era frio,
O frio era amigo do branco, do cinza, de cor impensável
Era o vento frio , gélido e amável , de tão denso até apalpável

Pois bem, nesta tarde sem fim,
O vento castigava, 
E ventava, cansava, esfriava.

Por luxúria minha, queria eu um cobertor,
Talvez até um agasalho,
Qualquer coisa que do frio , 
Afastasse meu cabelo grisalho

E era pois bem grisalho,
Assim como o frio meu cabelo tinha tomado,
Aqueles fios não seriam como antes,
Aquele frio,sobre meus cabelos, teve ação desvirginante

Não encontrava qualquer objeto que do frio me afastasse,
E me sentia frio, sim, não tinha roupas, e era um completo nu,
Com apenas uma cirola vermelha de bolinhas brancas,
Era uma fruta, do pomar humano, quase estranha como o caju 

Aquela cirola esteve ali , por tanto tempo,
Nem percebi-a, agora, ela não me deixa perceber , 
Se não fosse ela , logo seria mais um nu sobre um monte de agasalhos
Tentando esconder-se dos humanos falsários.

Pois esta cirola esteve comigo, verões e invernos,
Não tinha nenhum compromisso com nada ,
Era o meu boi na boiada,
Me protegia de tudo quanto era arma ou granada.

A cirola agora vermelha de bolinhas brancas, 
Ou até branca de bolinhas com cor vermelha, 
Não se assemelha,
A qualquer objeto que a ela se espelha.


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